Português
   English
   Español
Alvaro Henrique



Alvaro Henrique 

Violão  

   Biografia
   Críticas

   Agenda

   Fotos, Bio, Programa
   Gravações
   Partituras, Artigos e Entrevistas
   Blog

   Contato
   Aulas

   Violões à venda


ENTREVISTA: Rafael Altro
por Alvaro Henrique

Rafael Altro

Esse músico polivalente, que atua como intérprete, compositor, diretor musical de peças de teatro, professor e produtor, sempre atuando com destaque, comemora esse ano vinte anos de carreira. Após apresentações com casa cheia, tivemos um bate-papo com Rafael Altro.

Gostaria de começar falando um pouco de antes do início desses vinte anos. Como foi seu primeiro contato com o violão e com a música?

Tinha uns nove anos quando meu pai me presenteou com um violão. Por incrível que pareça não tive interesse em estudar. Ele me colocou com uma professora particular, fiz a primeira aula e achei muito chato. Falei pra minha mãe que ela não sabia nada e que eu poderia aprender aquilo sozinho, pois era só apertar as cordas no lugar certo (risos). Quando meu avô percebeu isso me presenteou com dois discos de vinil: Abismo de Rosas (Dilermando Reis) e outro com peças do Villa-Lobos com Eduardo Fernandez. Fiquei impressionado e quis tocar tudo aquilo. Aí com o tempo ganhei discos do Segovia, Turíbio Santos, entre tantos outros. A partir de então comecei a querer tirar tudo aquilo "de ouvido". Até que do Dilermando consegui bastante coisa, mas quando chegou no Villa resolvi arrumar uma partitura no Centro Cultural São Paulo para ver se facilitava. Nem tinha idéia do que era aquele monte de "bolinhas" (risos). Comecei a comparar o som com as "bolinhas" e aprendi a ler partituras dessa forma e a tocar violão erudito também.

Nossa, que bacana. Imagino que foi um aprendizado prazeroso, apesar de tortuoso. Como foi o preparo para as primeiras apresentações?

Preparo? Nem tinha idéia do que era isso. Com quinze anos já tinha um repertório de musicas populares com arranjos meus e algumas coisas eruditas. Meu tio pediu pra eu tocar em um chá bingo beneficente. Eu peguei meu violão e fui embora.

 (Risos) E como foi a primeira apresentação?

Não me recordo o lugar exato. Tinha um tecladista e eu faria uma intervenção de meia hora durante sua performance. Pra mim era tudo novidade. Hoje penso que deve ter sido algo muito bom, apesar de eu não ter muitas recordações das sensações, apenas do repertório e do ambiente. É verdade, não recordo o que senti na época. Ah! Toquei Canhoto, Dilermando e alguns arranjos instrumentais.

E como foi a sua formação, além do que você já explicou no violão?

Chegou um momento em que eu quis lecionar. Sempre gostei de passar o meu aprendizado para outras pessoas. Bati na porta do Conservatório Musical Anchieta, aqui em São Paulo, onde me receberam muito bem e perguntaram: Onde você se formou? Com quem estudou? Quando disse a forma que foi sugeriram que eu estudasse antes de querer dar aulas. Me matriculei lá então. Fiz o curso básico de quatro anos em apenas seis meses e comecei a dar aulas para pagar meu curso Técnico.

No conservatório não tinha professor pra mim então fiz aulas particulares com o violonista e luthier José Egídio de Oliveira, em Rudge Ramos, região do ABC Paulista. Costumo dizer que sou formado pelo Conservatório Musical Anchieta, porém com aulas particulares de técnica e contraponto com José Egídio de Oliveira. O detalhe curioso é que ele nunca me cobrou as aulas e a diretora do Conservatório não me cobrava a mensalidade pra eu poder pagá-lo (risos). Devo muito do que utilizo de técnica a ele. Essa é minha formação musical, apesar de ter outras formações paralelas em outras áreas.

É aí que começa outra parte que queria abordar... Você tem tido uma atividade muito bem sucedida como professor, lecionando inclusive para violonistas que estão se destacando internacionalmente. Qual é sua metodologia e filosofia de ensino?

Acredito no potencial do aluno. Ele é o principal material que tenho em mãos. Não sou especialista em didática violonística, nem estudei muito para isso. Às vezes penso até em me aprofundar nesse assunto, conhecer métodos e tudo mais. Acredito que com tantas dificuldades que tive para ler a partitura do Villa sem ter idéia do que era aquilo aprendi naturalmente como "não devemos" fazer muitas coisas para não dificultar nosso aprendizado. Assim tenho sensibilidade para detectar alguns problemas no desenvolvimento do aluno e tentar ajudá-lo na medida do possível. Nesses anos tem dado muito certo.

Sou bem flexível quanto a alguns conceitos de postura, técnica, digitação e tudo mais. Procuro ver o que fica mais "na mão" do aluno. Eu mesmo já mudei várias vezes esses conceitos em meus estudos. Mas sempre defino minha metodologia na sala com o aluno, tentando adaptar as aulas de acordo com suas dificuldades, não só musicais e técnicas, mas principalmente emocionais e outros fatores que influenciam em seu desempenho. E não esqueço dos objetivos dos alunos. Cada um quer o violão para um fim. Nem todos querem ser concertistas ou professores.

Aonde leciona atualmente? Ensina para todos os níveis?

Hoje, além de alunos particulares, leciono em três locais: Projeto Guri - Pólo POF; NAMMUSIC - Núcleo de Arte Musical e IPD - Instituto Divina Pastora.

Em cada local é uma história. Uma realidade diferente. No Projeto GURI temos um trabalho social, aulas para crianças de baixa renda em grupos de 10 alunos. No NAMMUSIC, que é uma escola de música, tenho alunos de todas as idades e níveis. No IDP, que é uma escola de ensino fundamental e médio, ensino para alunos mais jovens, porém de níveis variados também.

Você também tem trabalhado com teatro, como músico, diretor musical e até ator. Tenho muita curiosidade de saber como é esse universo de trabalho. É um mundo totalmente diferente do concertista erudito, que parece ser bem interessante, mas desconhecido de muitos - eu inclusive.

É um mundo bem diferente. Foi nesse mundo que descobri que eu poderia tocar com emoção. Se preocupando com a técnica sim, mas transmitindo todo o sentimento que a música pode proporcionar ao ouvinte.

Vale lembrar que nunca trabalhei como ator, apenas com músico em cena. Apesar de usar figurinos e ter participação em cena, ainda não falei nenhum texto no teatro.(risos)

Como diretor musical é um exercício de composição. É inexplicável a sensação de você ver um espetáculo teatral onde os músicos e atores interpretam suas composições ao vivo, dando vida a todas aquelas notas musicais.

A principal diferença de um concertista e um músico que trabalha com teatro acredito que seja a rotina do trabalho mesmo. Pois das duas formas estamos fazendo música. O teatro pra mim foi um presente, creio que minha carreira nos palcos será sempre dividida entre concertos e peças teatrais.

E como é a rotina do músico que trabalha com teatro?

Ensaios e mais ensaios. Muita dependência dos textos, dos atores e principalmente dos diretores. Tudo isso antes do espetáculo estrear. Depois o que muda é ter que sempre tocar a mesma coisa sem alterar a interpretação para não prejudicar a atuação dos atores e a concepção do diretor geral do espetáculo. Não permite muita criação, a não ser que você seja também o diretor musical. E um detalhe: dificilmente você é lembrado quando termina o espetáculo.(risos)

E suas atividades como produtor? Você tem realizado um trabalho maravilhoso nessa área. Sem dúvida você é um dos melhores produtores de eventos violonísticos do país.

Nossa, que honra ouvir isso. Obrigado.

Não é mero elogio vazio, realmente acredito nisso. Só como exemplo, a iniciativa de trazer ganhadores de concursos internacionais é maravilhosa, e ninguém nunca fez antes.

Comecei por acaso quando um colega me enviou um e-mail perguntando se tinha alguém interessado em produzir o concerto de Paco Ortiz (França) em São Paulo. Sem pensar eu respondi que poderia. Não me arrependo, mas na época foi complicado arrumar apoios e tudo mais. Situação que não mudou até hoje.

Depois disso vieram outras propostas até que recebi o e-mail para fazer a parceria com o Concurso de Villa de Petrer. Além do vencedor do concurso sempre que possível produzo os concertos de outros músicos por aqui também.

E como começaram suas atividades como produtor?

Foi justamente na vinda do Paco Ortiz pra São Paulo. Na mesma época idealizei a Mostra de Cordas Dedilhadas.

Rafael AltroQue estréia!

Mas sempre falo que não sou um produtor profissional, pois não ganho dinheiro para isso (risos), mas um dia chego lá.

Você realizou duas apresentações para marcar os vinte anos da carreira. Qual foi o programa? Como você planejou a apresentação? Há possibilidade de reapresentações?

 Na verdade não iria comemorar com apresentações. Um amigo me convidou para fazer um show em seu espaço cultural, o Ópera Buffa. Ele já trabalhou comigo no teatro e conhecia meu trabalho como músico e compositor também. Sugeri um recital. Ele não gostou da idéia e pediu algo diferente. Então produzi o show VINTE. É uma retrospectiva de minha carreira. Foi muito bom fazer esse show. Muito emocionante.

Ele é dividido em fases. Na primeira fase musicas que eu tocava no começo da carreira, depois composições minhas para teatro, peças para concertos e finalizo com música brasileira. Me apresento solo e com várias formações: violão e flauta, violão e percussão, violão, flauta e percussão e violão, baixo e bateria. Muito eclético. Um show e não um recital. Você quer o programa completo?

 Se você achar interessante... Talvez seria bom até se comentado.

Ok. Músicas no começo de carreira:

Marcha dos Marinheiros (Américo Jacomino)
Abismo de Rosas (Américo Jacomino)
Magoado (Dilermando Reis) - com pandeiro
Sons de Carrilhões (João Pernambuco) - com pandeiro
Choro op.05 – Sapeca (Rafael Altro) - com flauta e pandeiro

Músicas para teatro:

Lembranças do Amor (Rafael Altro)
O Terceiro Canto (Rafael Altro) - com flauta
A Côrte (Rafael Altro) - com flauta

Músicas para concerto:

Tango em Skäi (Roland Dyens)
Vai-e-Vem (Rafael Altro)
Apenas um Sentimento (Rafael Altro)
Prelúdio no.01 (H.Villa-Lobos)
Fantasia Op.04 (Rafael Altro) - com cajón

E, finalizando, música brasileira:

Asa Branca (L.Gonzaga / H.Teixeira) - baixo, bateria e violão
Garota de Ipanema (T.Jobim / V.de Moraes) - baixo, bateria e violão
Aquarela do Brasil (Ary Barroso) - baixo, bateria e violão
Me lembrei do Carimbó (Rafael Altro) - violão, baixo, bateria, percussão e flauta

As próprias fases já explicam as obras, acredito.

Rafael AltroCertamente. Como tem sido sua atuação como compositor?

Gosto de compor pra violão, mas já me aventurei em obras para orquestras e outros instrumentos. Sempre criei coisas para violão, mas tinha receio de colocar no palco. Poucas coisas têm linguagem erudita. Isso me dava medo.

Mas de um tempo pra cá tenho tocado muito minhas músicas. E o público tem gostado. Isso é muito legal. Muitas composições são para peças de teatro também. Penso em gravar um CD autoral em breve.

Antes de terminar, tem algum assunto que você gostaria de abordar que não tratei até agora?

Uma curiosidade que acho legal. Trabalhei como bancário durante oito anos. E nessa época tinha minha vida artística e pedagógica paralela. Gosto de salientar isso porque de um tempo pra cá consegui me estabelecer apenas com a música. Ou seja, apesar de difícil, é possível se viver trabalhando com música por aqui.

Outra é que participei como violonista e compositor em um CD lançado pelo selo Paulus no ano passado. O CD chama-se Ritmos do Brasil - Música do Norte. Toco em algumas faixas e tenho duas composições originais para o CD. E nesse ano deve ser lançado outro CD pela Paulus em que participo como arranjador e violonista. O título provisório é: Momentos de Reflexão - Louvor a Maria.

PAPO DE MANICURE

 
Você lixaria e poliria as unhas de quem?

Segóvia, me perdoem os outros, mas pra mim o gênio.

Que estória mais inusitada já aconteceu nesses vinte anos de atividades?

Uma vez estava tocando com um colega tecladista, o Sérgio Godoy, e estávamos lendo as partituras quando minha parte caiu no chão. Foi bizarra a cena dele apalpando o chão com a mão direita procurando minha partitura enquanto fazia a harmonia na esquerda e eu improvisando tudo e mais um pouco.

O que esperar do futuro?

Não costumo esperar. Corro atrás do meu futuro e procuro proporcionar um futuro bom para aqueles que me cercam.

O que é pior: lixar unha ou lidar com burocracia no banco?

Lixo unhas até hoje (risos). Isso prova que é bem melhor do que aquele monte de dinheiro "dos outros" que eu via o dia todo. O pior é que sou obrigado a ficar em filas para pagar minhas contas. Acho que nunca me livrarei do banco.

Que recado você deixa para os internautas?

Estudem tudo aquilo que seus mestres pedirem pra vocês. Aprendam bastante com eles. Quando vocês se sentirem seguros de suas próprias técnicas e criarem sua personalidade musical sólida, vão em busca dos seus sonhos musicais. Não liguem para as críticas. Arrisquem. E acima de tudo façam sempre música com muita emoção. A música serve pra transmitir sentimentos e não apenas para mostrar um punhado de notas soando com falsidade. Toquem aquilo que vocês gostam que sem dúvida, será sempre verdadeiro e o público irá aplaudir.

Ah! valorizem todos os músicos, sempre eles terão algo diferente para nos ensinar. Não vão a recitais somente daqueles que estão na "crista da onda".

Muito obrigado, Rafael Altro! Quer deixar algum contato?

Meu site : http://rafamusic.sites.uol.com.br e meu e-mail: rafamusic@uol.com.br . Para aqueles que quiserem, podem me adicionar no orkut.