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ENTREVISTA: Jorge Raphael
por Alvaro Henrique

Jorge Raphael

Esse luthier de Viçosa, Minas Gerais, vêm se destacando recentemente no cenário violonístico e conseguindo cada vez mais admiradores. Como bom mineiro, gosta de uma boa prosa e tivemos uma longa conversa. Nessa sua primeira entrevista, Jorge Raphael mostra uma faceta marcante na sua personalidade: ao invés de falar sobre si e sobre seu trabalho, ele preferiu dedicar a maior parte da conversa para mostrar gratidão a todas as pessoas que colaboraram com ele durante esses anos.

O que você fazia antes de se tornar luthier? Como você se preparou pra esse ofício?

Minha formação é em Química, fiz curso técnico em química, e formação universitária em tecnologia de cooperativas, um curso da área de economia rural da UFV (Universidade Federal de Viçosa). Também fiz um curso de um ano de teoria musical feito pela própria UFV. Essa seria a formação escolar, praticamente. Mas antes de construir violão, eu dava aulas de violão erudito na universidade enquanto estudava na UFV, o curso que eu oferecia era reconhecido pelo MEC, um curso da pró-reitoria, e como professor eu tinha certos confortos, como por exemplo, sair pra fazer um curso com alguém de meu interesse, como o Leo Soares, o Marcus Vinícius, no curso de inverno de São João Del Rey. Antes deles, eu também estudei com o José Lucena da UFMG, e com o Jodacil Damaceno, da UFU, e o Nicolas , da UFRJ, tudo pela Funarte, um programa que eles tinham que o Collor acabou e depois não voltou mais.

E o interesse pelo violão propriamente dito?

O interesse pelo violão começou aqui mesmo em Viçosa, com os recitais que vi aqui, como o do duo Assad, do Marcus Llerena, do Sérgio Abreu com o Norton Morozowicz (hoje regente no Paraná), o Darci Villa-Verde. Nessa época eu não tocava, só apreciava o violão. Vendo eles tocar é que aprendi o que era violão clássico e comecei a estudar o instrumento. Depois disso, já no curso de violão erudito, tive contato com vários nomes, como o Paulo Pedrassoli, Maria do Céu (que divulgava a obra de um compositor cearense, Francisco Soares, já ouviu falar?)

Não.

É uma obra meio como o João Pernambuco, mas mais arrojado. Ela recebeu isso do filho do Francisco, tudo original, trabalho dos manuscritos e começou a divulgar. O duo Barbieri-Schneiter também veio, até por meio da Maria do Céu.

Daí com o começo dos festivais, tive minhas primeiras aulas de luteria com o Roberto Gomes, que me falou não só dos mais antigos, mas também desses novos construtores que já estavam em destaque, como o Humphrey. Depois veio uma oficina de restauração, que também tinha violino, cello, mas oito em dez instrumentos eram violões. Muita coisa eu aprendi por aí, posso dizer que comecei aprendendo como NÃO se faz um violão, porque a gente via muito Di Giorgio, Del Vecchio, Gianinni, coisas que não são bem um violão, e ainda chegava em mal estado... Depois comecei a ter contato com vários luthiers, já meio de curiosidade, depois do trabalho com restauração. Conversei com Jó Nunes, Tessarin, Suguiama, João Batista, Mário Machado, Sérgio Abreu, Leandro Mombach (que constrói principalmente violinos) e depois comecei a ter orientações mais diretas com luthiers daqui, como o Antônio de Pádua, mas quem mais se destacou na minha carreira foi o Lúcyo Jacob, uma pessoa assim... Fantástica! Ele quem me ensinou tudo sobre violão, pena que, depois de um ano comigo na oficina, ele se envolveu na política, e achou que como assessor ele ia ganhar muito dinheiro trabalhando pouco, mas acabou se enganando, depois insistiu, ganhou uma sala, e acabou se desligando da construção de violão.

Outra pessoa que me ajudou muito foi o Rodrigo Moreira, uma pessoa que trabalha no ramo, e manda vários instrumentos pra todo o lado. Ele me ajudou muito porque ele ligava pra mim do lado de várias pessoas importantes, como o Elliot Jeffrey, e servia como ponte pra dizer o que o ele fazia e que comentários ele fazia sobre o meu trabalho. Ele fez o mesmo com o Serge De Jonge, que acabou me fazendo entrar em contato com o Thomas Humphrey. Também tive alguns contatos poucos com o Ruck, Manuel Rodriguez, Benito Huite, Ermano Chiavi. Algumas pessoas importantes também tocaram no meu violão e faziam comentários, como o Manuel Barrueco, a Sharon Isbin, e o Rodrigo, que estava do lado, me passava tudo o que eles comentavam. Não foi uma educação direta, foi tudo por intermediários, tudo meio assim... Muitos não me conhecem diretamente, não saberiam dizer quem sou, porque o contato era muito por telefone, mas mesmo assim foram pessoas importantes pro meu desenvolvimento.

Também estudo muito, leio muito, tenho muitos livros, tenho uma literatura bem grande sobre o assunto, como o álbum completo da LMI, com todos os luthiers americanos... Mas a parte de marcenaria, como proceder com as madeiras, segurança do trabalho, como usar uma ferramenta com segurança, tudo isso eu aprendi com o Joel Dias e o Giovanni Ferreira, que são peritos nesse assunto de marcenaria básica, de amolar desde uma simples tesoura até a mais complicada serra. Também devo muito à minha esposa, Jussara Luiza de Oliveira Santos do Nascimento - ela faz questão de que se coloque o nome todo (risos) -, que é engenheira agrônoma especializada em controle fitossanitário, que inclui saber aonde a madeira nasce melhor, que madeiras são boas. Ela é muito família, está sempre do meu lado, sempre apoiando, sempre em prol de conseguir um bom resultado do trabalho, sem grandes cobranças financeiras.

Outras pessoas que gostaria de citar, porque eu aprendi sobre goma-laca com uma dificuldade... liguei pra restauradores em São Paulo, lia livros, e foi uma dificuldade, mas quem me ensinou mesmo como aplicar o verniz foi a Júlia Bellos. Outra pessoa que me ajudou bastante, um químico alemão que trabalha na universidade, era o Walter Brumne, uma pessoa bem estudada, pesquisador, uma pessoa que falava em química, sabia de tudo, era homenageado, e me ajudou muito a saber tanto sobre verniz sintético quanto sobre goma-laca. Outra empresa que me deu uma força foi a Sardenberg do Brasil, que são ótimos, estão sempre acompanhando meu trabalho, avisam de novidades, são ótimos.

É importante também citar as pessoas que colaboram a conseguir material, como o Oscar Ferreira, uma pessoa que todos os luthiers tem um carinho muito grande, uma pessoa que consegue qualquer tipo de madeira que você precisa, a Stewart Mac Donald e uma empresa muito importante que é a Luthier Mercantile Internacional. Uma pessoa que está se sobressaindo muito bem é o Marcos Lyra, um cara que conhece violões espanhóis, visita, traz informações pra gente... É uma pessoa muito importante nesse ramo, pessoas que colaboram não só comigo, mas com todos os luthiers do Brasil... Todas essas pessoas que citei são intermediários que colaboram. Quem faz rosetas maravilhosas é o Luis Carlos Moura, que está melhorando cada vez mais... O Samuel Carvalho e o Eugênio Folman, fornecedores de madeira, também são bem importantes...

Pestanas e rastilhos, tem um rapaz que está exportando pra Alemanha, de tanta qualidade e é uma pessoa boníssima, o Antônio Petená. Os estojos, a gente até tinha conversado disso antes porque você falou de um rapaz em Brasília que também faz estojos, tem uma pessoa aqui que tem um tratamento finíssimo, que fornece pra muita gente, que é o Álvaro Marques... Todas são pessoas que costumam ficar à parte, ficam anônimos, mas que são super importantes. Você não vê o nome delas em nenhum lugar, e não sei se é muito justo fazer isso, sabe? Por mais que você possa fazer uma coisa e uma pessoa faz por você melhor que você, é justo citar o nome dela. Por exemplo, se você tem uma casa maravilhosa e um jardim maravilhoso, mas não é você quem cuida do seu jardim, você precisa dizer qual é o nome do seu jardineiro.

Tem pessoas também, que no campo de segurança do trabalho, me ajudaram bastante, como com relação a colas, vernizes e mesmo com a própria poeira do material, foi meu irmão, o Wellington do Nascimento, engenheiro de segurança no trabalho, uma pessoa que está sempre me acompanhando. De vez em quando ele vem com umas pastas pra eliminar resíduos, contribui para eu ter um trabalho com saúde, limpo, claro... Se você está com saúde, o violão vai sair sadio, não é mesmo?

Claro. E como você lida com a questão da repetição do artesanato e o uso de novos conceitos?

Violão Jorge RaphaelTodo luthier tem um trabalho com o que ele se identifica, que fica melhor com ele, mesmo que ele tenha vários projetos. Todos têm uma linha. Por mais que ele faça um violão simples, com uma roseta pouco trabalhada ou até sem roseta, uma escala com madeira de menor qualidade, ele sempre conserva o leque harmônico, o design, a estrutura do violão não muda... O que notei é que o que muda é a qualidade, ele pode não polir tanto a madeira, não ser tão cuidadoso com o verniz, mas no aspecto de construção ele sempre mantém a coisa mais padronizada. Quem faz violões mais caros, escala de ébano, mais baratos, jacarandá, um estojo que ora é de luxo, outro mais simples, mas todos mantêm o padrão de construção. Tem luthier no Brasil que só usa um tipo de construção, até o estojo é igual, com a mesma cor de estojo, o Jó Nunes só usa estojo com uma assinatura dele, por exemplo. Quando você bate o olho você já sabe de quem é o violão, é mais fácil de identificar, especialmente só pelo visual. Eu também tenho tentado padronizar, fazer o meu padrão, mas parto da escola moderna de violão, que é baseado na treliça. Não sei se pro violão esse termo cai bem, ele é mais adequado pra marcenaria, mas ficou. Mas esse é um assunto controverso, tem gente que odeia ou ama incondicionalmente esse sistema que nasceu na Austrália. Não sei se respondi sua pergunta, mas depois de tanto tempo acabei chegando no meu padrão... Depois de dez anos na luteria, cheguei ao meu padrão. É como no violão, quando você se especializa num compositor, num repertório, tudo anda mais fácil, as pessoas te associam com um compositor, uma peça. Eu criei um sistema mais padronizado, não adianta ficar com milhares de modelos, com vários sistemas... Eu acabei descobrindo que a treliça é que seria o sistema melhor pra mim, o que está sendo mais aceito.

É como se a treliça te escolheu ao invés de você escolher a treliça?

Puxa, é isso aí. Esse negócio caiu na minha mão e fiquei querendo entender que coisa era aquilo... Não é apenas colocar uma vareta em cima da outra, é uma coisa muito elaborada, que considera a boca, o cavalete, tudo, é um sistema muito inteligente. Você veja, o padrão Torres tem uma lógica, mas não fica muito bem definida... Acaba que as pessoas usam só porque todo mundo usa. Alguns poucos falam com algum conhecimento, mas a maioria parte mais de coisas fantasiosas, sem muito sentido... As pessoas falam que o violão Torres é assim, outro fala que é assado, uma vez tem lógica, outra não tem... E pesquisando a treliça acabei me identificando mais com esse sistema de construção, foi o que me deu os melhores resultados.

Você é um luthier de uma cidade do interior, com atividade violonística pequena, como você têm lidado com essa questão de entrar no mercado?

Jorge RaphaelEu me identifico muito com os violonistas, porque eu também fui violonista, muitas vezes fiz aulas e mantive contatos com pessoas que já tive disco, como o Pedrassoli, você, o Erisvaldo Borges, o Henrique Pinto, com quem fiz aulas, a Gisela Nogueira, o Paulinho Nogueira... Conversei com eles bastante, e me identifico muito com a classe violonística... Construir violões não foi um trabalho de abrir uma porta e dizer que vou consertar violão de repente, foi algo que foi acontecendo, não diria que ao acaso, mas meio que caí numa oficina pelo tempo, e pouco a pouco acabei me tornando um construtor... É engraçado que muita gente que me liga diz que é aluno de quem já meu deu aulas, já fico pensando que violão será que ele vai gostar... Eu não entrei pra competir, ou porque achava que era bom nisso, foi algo que simplesmente aconteceu. Claro que foi algo que fui procurando, mas não foi algo premeditado, nunca nem tive uma formação própria pra isso... O Roberto Gomes, mesmo, que eu tenho uma admiração muito grande, talvez ele nem lembre de mim. Eu estava naqueles aulões lá em São João Del Rey, e não podia freqüentar muito o curso porque estava na UFV, não podia ir pra lá sempre e infelizmente não pude fazer um curso de luteria...

É isso, na minha cabeça eu ainda sou violonista, e muitas vezes construo instrumento pra mim mesmo, sou até mau negociante, fico com medo de cobrar caro, da pessoa não gostar, fico com apego com o instrumento... Me identifico muito com o violonista, penso como violonista...

Falando no Paulinho Nogueira, mesmo, era uma pessoa fantástica, e bem simples... Quando a gente fazia aula nos cursos, a maioria dos professores iam de carro, van, ele era o único que ia sempre de ônibus, aliás, que gostava de ir sempre com os alunos. Uma vez, é engraçado, quando eu passei a partitura da Bachianinha pra ele assinar ele falou que não sabia direito porque faria aquilo, porque achava que eu tocava aquilo melhor que ele... Já imaginou o compositor (e bom violonista) dizer pra um aluno como eu que eu toco aquilo melhor que ele? Ele depois passou a música toda cifrada, como uma tablatura, porque partitura não era o forte dele propriamente e que ele tocava ela toda por cifra.

Mas voltando, eu nunca fiz violão mais barato só pra fazer concorrência, nunca me preocupei com o lado muito comercial da coisa... Eu vejo um violonista novo, louco pra ter um violão de luthier, mas não tem dinheiro, e acaba falando de Yamaha, Giannini, mas sempre querendo um violão de luthier... Eu sempre tentei ser o mais justo com os violonistas, não quero nunca ouvir que um violão meu por tanto é um roubo, que sou explorador... Não quero aumentar o preço só por conta de fila, mas tenho medo de não ser compreendido pelo baixo preço, de acharem que a qualidade é pequena por conta do preço baixo... É uma faca de dois legumes (risos), é como a estória do pássaro na mão, se você acha que ele está morto você abre a mão e ele pode voar, se você acha que ele está vivo você aperta a mão e pode matá-lo... Procuro fazer um preço justo, tive de aumentar o violão a pouco tempo mas não foi o violão que aumentou, foi tudo que aumentou, o estojo aumentou, a luz aumentou, a corda aumentou, tarracha aumentou, madeira aumentou, verniz aumentou... Não dá pro violão não aumentar... Não foi uma questão de inflacionar o violão, foi porque não tinha como manter o preço antigo.

E com relação a madeiras pro tampo, como você trabalha, qual a sua preferência?

Tenho boas madeiras de cedro, mas tenho uma preferência pelo pinho alemão. Acredito que esse novo tipo de construção, que o pessoal ainda não conhece tanto, soa muito bem em pinho alemão, dá um resultado bem definido, e tem uma beleza maior. Mesmo visualmente, no trabalho mais artístico, o pinho alemão não pode ter falhas, ele mostra os defeitos, não dá pra completar com massinha... Não quero generalizar, dizer que quem faz cedro pode errar, porque na prática todo luthier quer fazer o melhor possível. Mas aqui já digo como violonista: a graça do pinho alemão é que quando você acerta o violão acerta junto, e quando erra, ele erra junto, o cedro já disfarça tudo, tanto o erro como o acerto. Não quero dizer que o cedro é ruim, não quero partir os corações dos violonistas que gostam de cedro, é mais uma preferência pessoal minha pelo pinho mesmo. Até a estrutura interna eu gosto mais, é mais bonito, a definição do verniz é melhor, ele aceita melhor, até o envelhecimento do pinho é melhor.

Jorge, infelizmente ainda não conseguimos falar sobre tudo o que gostaríamos mas a entrevista já está muito longa e temos de terminar por aqui. Certamente não faltarão outras oportunidades para você conversar sobre o seu trabalho. Tem alguma coisa que você gostaria de acrescentar, que ficou faltando?

Sim, claro. Acho que falamos pouco da minha família. Nasci em 62, não escondo a minha idade. Tenho duas filhas, Isabela e Cecília. Às vezes até coloco dentro do violão, no cantinho do selo, o nome delas. Não é nada de modelo, é mais um carinho, uma dedicatória. Poxa, eu faço um instrumento e acho que ela tem a carinha de uma das minhas filhas e ponho o nome dela lá dentro (risos). Elas me inspiram, estão na oficina, são a alegria da casa. Quando a sua família está perto de você, e está tudo bem, o seu trabalho está direitinho, é a sua inspiração, tudo corre bem... Mas esse negócio de pôr o nome não quer dizer nada do som, do modelo, é mais uma dedicatória, um carinho... como com o Erisvaldo Borges, ele escreveu uma obra chamada Yasmime que dedicou à minha filha Cecília Yasmine, porque ele gostou do segundo nome, foi muito legal.

PAPO DE MANICURE

Pra quem você daria um violão?

Eu daria um violão pro Alvaro Henrique (risos). É engraçado, porque antes da gente se conhecer o Roberto Rozado me falou que você estava divulgando meu trabalho, vinha gente me ligar falando que foi você quem comentou sobre mim, e sempre achei que você era um cara que merecia um violão meu porque foi a primeira pessoa a vir com sinceridade a divulgar o trabalho, sem interesse nenhum, sem politicagem.

O que é pior que corda não afina?

Pernilongo! E mineiro fala "o pernilongo me 'comeu' essa noite" (risos). A pior coisa desse mundo é pernilongo.

Qual é a pior desvantagem de ser luthier: negociar com violonista, negociar com quem vende material, ou pagar as contas no fim de mês?

Pagar as contas, não tem coisa pior que isso aí.

Qual é a maior vantagem de não ser violonista: não precisar fazer unha, não precisar tocar “aquela da novela” ou não precisar puxar o saco de ninguém?

Não ter de ficar fazendo unha... Violonista pra unha é uma coisa que só vendo (risos). Esse negócio de carregar lixinha pra todo lado que vai...(risos) É engraçado que o vício ficou, e apesar de tudo ainda carrego lixa no bolso... Eu uso lixa 400 pras madeiras, e ainda tenho isso pra todo lado, todo bolso de toda calça, bolso de camisa, carteira, todo lugar ainda tem pedacinho de lixa pra polir as unhas (risos).

Qual sonho você ainda não realizou?

Uma casa própria, tem um tempo que venho sonhando com isso... A Brooke Shields, eu já tenho, então só falta a casa mesmo. (risos)

Qual recado você deixaria pros internautas?

Puxa, agora você me pegou... O que eu diria é que a gente fica sempre sozinho, na oficina, só trabalhando, trabalhando... Eu diria que o pessoal ligasse, entrasse em contato, batesse um papo, mesmo quem acha que nunca pode comprar um violão... A maioria fica com medo de ligar sem ter um tostão no bolso, acha que a gente só se importa com o violonista que compra violão e fica acanhado, fica no canto dele... Acho que há uma distância entre o luthier e o violonista, o cara fica com medo de ligar... Poxa, pega o telefone e liga! A gente pode bater um papo, falar sobre música, violão, futebol, sei lá... Não entendo nada de futebol (risos), mas pode ligar mesmo assim... Acho que não é bom essa distância entre o construtor e o violonista... Digo também o violonista popular, às vezes a pessoa acha que violão bom é só pra quem toca Bach, e a pessoa às vezes pensa em ir numa loja só pelo “pagou, pegou,” mas é engraçado, às vezes paga um absurdo por um Takamine, e não fica satisfeito ainda, mas tem medo de falar com um construtor de violão.

Jorge, obrigado pela entrevista.

O telefone do luthier Jorge Raphael é 31 3891-1315

Fotos: Arteminas Design